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"Primeiras edições", no 'Perdidos e achados' de hoje sábado

sábado, 9 de janeiro de 2016



Francisco Noronha de Andrade é um colecionador. Devoto de Fátima, tem a maior coleção privada de objetos referentes à devoção. Guarda todas as suas coleções no antigo armazém da editora Romano Torres, da qual é herdeiro, mas que já não edita desde o século passado. 


Foi ali, num local com exígua iluminação, pelo qual só se circula de gambiarra, que Francisco Noronha de Andrade encontrou espaço para dar lastro ao gosto pelo colecionismo. Coleções e objetos da família misturam-se com o espólio da antiga editora, fundada no século XIX e que foi das mais importantes para a língua portuguesa. No acaso de uma limpeza, Francisco cruzou-se recentemente com um caixote de jornais, a coleção de primeiras edições que resolveu fazer quando era um jovem adulto. São sobretudo jornais do tempo da transição para a democracia e do pós-revolução, quando a imprensa ganhou a criatividade das ideias e da liberdade de expressão. Muitos destes jornais foram experiências efémeras. 

O 'Perdidos e Achados' seguiu as pistas desta coleção acidentalmente reencontrada num armazém de Lisboa e recupera a memória de primeiras edições de alguns jornais incontornáveis para contar a história da imprensa portuguesa. Recordamos a primeira página do primeiro jornal Expresso, de 6 de janeiro de 1973, lida pelo atual diretor Ricardo Costa. Com Joaquim Letria, revemos a primeira edição do Tal e Qual, que em 1980 quebrou o tabu da relação amorosa de Sá Carneiro com Snu Abecassis. Quase 36 anos depois, o atual diretor do Correio da Manhã, Octávio Ribeiro, volta a olhar para a primeira edição do matutino que mais vende em Portugal. Em 1979, o Correio da Manhã apanhou um país inebriado por uma telenovela. Lembramos a primeira capa de O Independente com a jornalista Ângela Silva, que fez a manchete. Reencontramos José Carlos Vasconcelos no seu gabinete, com livros quase até ao teto, para lembrar a fundação do Jornal de Letras. Voltamos a 1974 com o atual diretor do Avante, Manuel Rodrigues, para rever a revolução do jornal oficial do PCP, com a transição do papel bíblia e de pequena dimensão - a versão da clandestinidade -, para a publicação legal, em maio desse ano, em papel jornal. A manchete era simbólica: "Os comunistas no governo provisório". 

O colecionador Francisco Noronha de Andrade olhar com alguma nostalgia para a sua coleção de jornais, reencontrada num armazém de Lisboa e da qual já não se lembrava. O achado permite também uma reflexão sobre a imprensa escrita. Após a revolução houve grande impulso editorial. Hoje fecham-se jornais, questiona-se o futuro do setor e o colecionador não teria objetos para começar uma nova coleção.


Uma reportagem realizada pela seguinte equipa: Jornalista: Joaquim Franco 



Repórter de Imagem: José Silva 

Edição de Imagem: João Nunes 

Produção: Cláudia Araújo, Madalena Durão 

Coordenação: Maria João Ruela.

'Perdidos e Achados', com o tema "Primeiras edições", para ver hoje sábado dia 9 de janeiro, no 'Jornal da Noite', apresentado pela jornalista e pivô Maria João Ruela!

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