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10 de junho de 2013

Simone Fragoso: Orgulho e preconceito

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Simone Fragoso, que “agita” o novo programa da SIC, luta diariamente contra o preconceito. Espera que o "Splash!" possa dar visibilidade a todos os paralímpicos , que como ela rece bem €320 de apoio do Estado, o que faz com que atravesse graves problemas a nível financeiro.

Não mede mais de um metro e um centímetro. No entanto, não é isso que a faz desistir de viver uma vida plena. Aos 32 anos, Simone Fragoso, que agora se aventura no novo programa da SIC, "Splash! Celebridades", caracteriza-se como sendo “transparente como a água” e “incendeia” por onde quer que passa. Porém, nem tudo na vida desta atleta de alta competição, que faz parte da Seleção Nacional de pessoas com deficiência, é um “mar de rosas”. “Acho que a minha participação neste programa vai dar uma “achega” às pessoas, porque somos muito discriminados”, confessa a desportista, natural de Palmela, sublinhando: “As pessoas fecham-nos muitas portas. O País está em crise, mas a crise é só para alguns. O meu objetivo é dar visibilidade aos atletas como eu.”

Sentada na plataforma da piscina onde treina diariamente, no Pinhal Novo, Simone Fragoso abriu o coração à TV 7 Dias e lamentou a falta de apoio que sente por parte do Estado. “Nós recebemos uma bolsa mínima do Estado. Os treinadores recebem uma ainda mais mínima. Eu recebo €320! E não é todos os meses! Recebemos até março e ainda faltam os meses de novembro e dezembro, que estão atrasados.” Uma situação revoltante, que a envergonha enquanto atleta. “Os nossos governantes só se lembram de nós antes de irmos para os Jogos Olímpicos, para nos baterem palminhas... mas nem na chegada nos acompanham! É uma luta constante, é bater com a cabeça na parede para mudar esta situação...” Dona de um currículo invejável em alta competição e detentora de várias medalhas, Simone confidenciou que tem tido uma época atribulada, mas não é isso que a faz baixar os braços. “Tenho o apoio do meu treinador, Jorge Seabra, que é o meu personal trainer, e às vezes acompanha-me aqui na piscina. Tenho tido uma época atribulada em termos de treinadores. Em agosto vou ao Canadá, ao Campeonato Mundial Paralímpico de Natação, e já me estou a preparar para dar o meu melhor e honrar o meu País.”

“Tive momentos muito maus”

Apesar da luta diária contra o preconceito, esta atleta apaixonada pela música confessa agora como aprendeu a lidar com a sua deficiência. “Sofri mais discriminação no secundário. A adolescência é sempre uma época má, e a minha não foi exceção. A minha adolescência foi tentar aceitar-me, por causa dos comentários das pessoas, mas como sempre levei as coisas na brincadeira tentava abstrair-me. Havia épocas boas e menos boas.” Não é só a jovem que luta contra o preconceito. Maria de Lurdes Machado, conhecida como Milu em Palmela, conta como foi lidar com a deficiência da filha. “Quando ela nasceu foi um choque inicial, porque não se conhecia bem esta deficiência. Depois foi sujeita a várias operações, o que foi muito complicado. Também sofremos muito com os olhares das pessoas, quando tínhamos de ir comprar roupa, sobretudo, mas quando foi para a natação as coisas mudaram.” A sua determinação fez a diferença. O ponto de viragem na sua vida deu-se quando decidiu viver intensamente a natação.

“Ajudou-me a contornar os meus momentos mais depressivos. Com as olimpíadas, e o facto de ter aparecido na televisão, e ter dado algumas entrevistas, as pessoas começaram a reconhecer-me. Já não sou ‘aquela pequenina’, já sou a ‘Simone, a paraolímpica’. São coisas diferentes. É como o meu primo Mário diz, e já me disse isto bêbado. ‘Agora as pessoas não apontam para ti e dizem: Olha vai ali alguém assim e assado. Agora dizem: Olha ali a Simone...’” O gosto e a aptidão por este desporto cresceram quando tinha seis anos. “Sempre nadei, desde os seis anos. Nadei até aos 12, e depois desisti. Entretanto, voltei à natação porque fui operada às pernas. Para as endireitar e para voltar a andar, tive de ir para a natação para desenvolver os músculos. Depois regressei aos 25. Estávamos em 2004. Decidi voltar a nadar quando vi os atletas virem de Antenas. Comecei a investigar sobre os paraolímpicos, e assim comecei a treinar. Consegui logo mínimos para o campeonato do Mundo, e trouxe a Medalha de Prata da África do Sul”, recorda, entusiasmada. Porém, não é só do desporto que vive a jovem.

“Tenho três cursos superiores e dou aulas de música há seis anos. Tirei o curso superior de Animação e Teatro, e comecei a trabalhar com idosos. Depois, fui tirar outro curso superior, no Piaget, em Almada, de música. Ainda fui para o conservatório e agora estou a tirar o mestrado.” E como é a sua relação com os alunos? “É fantástica. Eles são pouco mais altos que eu, e no intervalo vou brincar com eles. Vou jogar à bola e saltar à corda. Dou aulas a miúdos entre os oito e os dez anos. O primeiro impacto é complicado, mas depois tento quebrar o gelo. Faço jogos, dou a conhecer-me e falo da minha vida.”

Contudo, quando se fala na vida profissional da atleta, a progenitora conta o que mais a revolta: “A nível monetário ela está com problemas. Todos os anos tinha uma, duas, três escolas onde trabalhava, e agora não tem. Ela foi a Londres representar o País e quando chegou tinha as portas fechadas no trabalho. Ela neste momento está só a trabalhar numa escolinha onde ganha meia dúzia de tostões. Se paga a Segurança Social nem dinheiro para a gasolina tem.”

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